A transição para a metodologia BIM já não é mais uma novidade, é uma exigência. No entanto, à medida que escritórios de arquitetura e empresas de engenharia amadurecem seus processos, surge um grande debate estrutural: devemos forçar todos os parceiros a trabalharem no mesmo software ou devemos adotar um fluxo de trabalho aberto?
A resposta para a verdadeira eficiência na construção civil atende pelo nome de OpenBIM.
Enquanto fluxos de trabalho fechados (o famoso closedBIM) tentam trancar todos os projetistas dentro de um único ecossistema e formato de arquivo, o OpenBIM propõe uma abordagem universal, transparente e, acima de tudo, colaborativa. A seguir, detalhamos por que a colaboração aberta é, sem dúvida, superior.
1. A Ilusão do “Ecossistema Único” (closedBIM)
Existe um forte apelo comercial no mercado que sugere que a colaboração perfeita só acontece quando a arquitetura, a estrutura e as instalações (MEP) são feitas no mesmo programa. Isso é uma armadilha.
Na prática da construção civil, cada disciplina tem necessidades altamente específicas. Exigir que um engenheiro calculista utilize uma ferramenta generalista apenas para manter o mesmo formato de arquivo da arquitetura resulta em perda de qualidade e eficiência. O modelo fechado limita a inovação, pois força os profissionais a usarem ferramentas com as quais muitas vezes não têm familiaridade ou que não entregam o melhor desempenho para a sua especialidade.
2. A Verdadeira Liberdade de Escolha
A maior vantagem do OpenBIM é a liberdade. A arquitetura pode ser desenvolvida em plataformas que foram pensadas exclusivamente para o design arquitetônico, possuindo ferramentas mais intuitivas e flexíveis. Paralelamente, o engenheiro estrutural pode usar o software líder de cálculo do mercado, e o projetista de instalações, a sua ferramenta de preferência.
A comunicação entre essas “ilhas de excelência” ocorre através de formatos universais e não proprietários, como o IFC (Industry Foundation Classes) e o BCF (BIM Collaboration Format). Cada profissional trabalha com a melhor ferramenta para o seu ofício, e a tecnologia atua como a ponte entre eles, não como uma barreira.
3. Segurança e Propriedade dos Dados a Longo Prazo
Quando um projeto é desenvolvido inteiramente em um formato proprietário fechado, você se torna refém daquela empresa de software. Se daqui a 10 anos você precisar abrir um modelo para um projeto de As-Built ou Retrofit, e não tiver mais a licença daquela versão específica do programa, seus dados podem estar inacessíveis.
O fluxo OpenBIM, por utilizar padrões abertos (como o IFC), garante que os dados do seu projeto pertençam a você e ao seu cliente, e não à desenvolvedora do software. É uma garantia de legibilidade e arquivamento a longo prazo, essencial para o ciclo de vida real de uma edificação, que dura décadas.
4. Coordenação e Compatibilização Mais Rígidas
Pode parecer contraintuitivo para quem está começando, mas a colaboração aberta gera modelos muito mais precisos. Como os arquivos nativos não são mesclados de forma automática e invisível, o processo de federação de modelos (juntar a arquitetura, estrutura e MEP em um software de coordenação) força a equipe a realizar o Clash Detection (detecção de conflitos) de maneira consciente e profissional.
O uso do BCF permite que os coordenadores apontem um erro exato no modelo, e essa nota viaje entre softwares diferentes. O arquiteto recebe a notificação direto na sua tela de modelagem, com a câmera já apontada para o problema, independentemente de qual programa o coordenador usou para gerar o alerta.
Conclusão: O BIM é sobre Processos, não sobre Marcas
Adotar o OpenBIM é entender que a metodologia transcende as marcas de software. É elevar o nível do escritório, passando a focar na qualidade da informação e na entrega de projetos mais consistentes.
Quando quebramos a barreira do closedBIM, criamos um ambiente onde parceiros de negócios são escolhidos pela competência técnica e qualidade do projeto, e não apenas porque assinam o mesmo pacote de software que o nosso escritório. Essa é a verdadeira evolução digital na arquitetura e na construção.

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